Convulsão Febril: tudo o que os pais precisam saber
- Daniel Alves de Oliveira
- 30 de jun.
- 4 min de leitura

Ver um filho apresentar uma convulsão é uma das experiências mais assustadoras para qualquer família. Felizmente, na maioria das vezes, a convulsão febril é uma condição benigna, com excelente prognóstico e sem consequências para o desenvolvimento da criança.
Mesmo assim, é fundamental saber reconhecer os sinais de alerta e entender quando é necessário buscar avaliação especializada.
O que é uma convulsão febril?
A convulsão febril é uma crise epiléptica desencadeada pela febre (temperatura igual ou superior a 38°C), sem que exista uma infecção do sistema nervoso central, como meningite ou encefalite, ou outra causa aguda que explique a convulsão.
Ela ocorre principalmente em crianças entre 6 meses e 5 anos de idade, sendo mais frequente entre 12 e 18 meses.
A convulsão febril é relativamente comum, acometendo aproximadamente 2% a 5% das crianças em países ocidentais, podendo ser ainda mais frequente em algumas populações asiáticas.
Quais são os sintomas?
Na forma mais comum, a criança apresenta:
perda súbita da consciência;
rigidez do corpo;
movimentos repetitivos dos braços e pernas;
olhos voltados para cima;
possível salivação;
sonolência após a crise.
Na maioria dos casos, a crise dura menos de cinco minutos e cessa espontaneamente.
É importante lembrar que a convulsão geralmente acontece no início da febre, sendo comum que os pais sequer soubessem que a criança estava febril antes do episódio.
Convulsão febril simples e complexa: qual a diferença?
A convulsão febril é dividida em dois grupos.
Convulsão febril simples
É a forma mais frequente (cerca de 70–80% dos casos) e apresenta as seguintes características:
duração inferior a 15 minutos;
movimentos generalizados em todo o corpo;
apenas um episódio em 24 horas;
recuperação completa após a crise.
Essa forma possui excelente prognóstico.
Convulsão febril complexa
É considerada complexa quando apresenta uma ou mais destas características:
duração igual ou superior a 15 minutos;
movimentos restritos a apenas um lado do corpo ou início focal;
recorrência dentro das primeiras 24 horas;
recuperação neurológica mais lenta ou presença de déficit focal após a crise.
Nessas situações, a investigação médica costuma ser mais detalhada.
O que causa a convulsão febril?
A convulsão não acontece porque a febre está "muito alta". Na realidade, ela ocorre devido à resposta do cérebro imaturo ao aumento da temperatura corporal.
Diversas infecções virais podem desencadear o quadro, incluindo:
influenza;
adenovírus;
vírus sincicial respiratório (VSR);
coronavírus sazonais;
roséola (exantema súbito).
Existe também importante influência genética. Crianças com familiares que tiveram convulsão febril apresentam maior risco de desenvolver a condição.
A convulsão febril causa epilepsia?
Essa é uma das maiores preocupações dos pais.
A resposta é: na imensa maioria dos casos, não.
Após uma convulsão febril simples, o risco de desenvolver epilepsia permanece muito baixo, sendo próximo ao da população geral (cerca de 1%). Esse risco aumenta quando existem fatores como:
convulsões febris complexas;
alterações neurológicas prévias;
atraso do desenvolvimento;
história familiar de epilepsia.
Mesmo nesses casos, a maioria das crianças não desenvolverá epilepsia.
A convulsão pode voltar?
Sim.
Cerca de 30% das crianças apresentarão um novo episódio ao longo da infância.
O risco é maior quando:
a primeira convulsão ocorreu antes dos 12 meses;
existe histórico familiar de convulsão febril;
a crise aconteceu logo no início da febre;
a temperatura não estava muito elevada no momento da convulsão.
Nas crianças que apresentam a primeira convulsão antes de 1 ano de idade, a recorrência pode chegar a aproximadamente 50%.
O que fazer durante uma convulsão?
Se a criança apresentar uma convulsão:
mantenha a calma;
coloque-a de lado, em um local seguro;
afrouxe roupas apertadas;
observe a duração da crise;
não coloque objetos na boca;
não tente segurar os movimentos;
procure atendimento médico após o episódio.
Se a crise durar mais de cinco minutos, procure atendimento de urgência imediatamente.
Quais exames são necessários?
Na maioria das crianças com uma convulsão febril simples, não são necessários exames como eletroencefalograma (EEG), tomografia ou ressonância magnética de rotina.
O principal objetivo da avaliação médica é identificar a causa da febre e excluir doenças potencialmente graves, como infecções do sistema nervoso central, quando houver suspeita clínica.
A necessidade de exames complementares deve ser individualizada, especialmente nos casos de convulsão febril complexa ou quando a história clínica sugere outro diagnóstico.
A criança precisa tomar remédio para prevenir novas crises?
Na maioria das situações, não.
Como o prognóstico é excelente e os medicamentos preventivos podem causar efeitos adversos importantes, sociedades médicas não recomendam o uso contínuo de anticonvulsivantes após uma convulsão febril simples.
Em situações muito específicas, o neurologista pediátrico pode indicar estratégias individualizadas para determinados pacientes.
Quando procurar um neurologista pediátrico?
A avaliação com um neurologista pediátrico é recomendada quando:
a convulsão ocorreu antes dos 6 meses ou após os 5 anos;
a crise foi prolongada (15 minutos ou mais);
houve mais de uma convulsão em 24 horas;
a convulsão foi focal;
existe atraso no desenvolvimento;
há alterações neurológicas no exame físico;
permanecem dúvidas sobre o diagnóstico.
Uma avaliação especializada permite confirmar o diagnóstico, identificar fatores de risco e orientar adequadamente a família.
Conclusão
A convulsão febril é uma condição frequente e, na grande maioria das vezes, benigna. Embora o episódio seja extremamente assustador para os pais, a maioria das crianças evolui sem sequelas, sem prejuízo cognitivo e sem desenvolver epilepsia.
Receber informações corretas e uma avaliação individualizada reduz a ansiedade da família e evita exames e tratamentos desnecessários.
Se seu filho apresentou uma convulsão durante um episódio de febre, procure avaliação médica para confirmar o diagnóstico e receber orientações específicas para o caso.
Referências
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